Entrevistas
Sérgio Reis

Pergunta: como foi sua relação musical com o violão, como cantor e compositor?
Sérgio Reis: todo mundo escolhe um instrumento por algum motivo específico. No meu caso sofri a influência do meu pai, que era violonista e tinha um conjunto de seresta, e do meu tio Henrique que trabalhou na Di Giorgio. Cresci num ambiente musical, pois ainda havia alguns amigos e parentes mais jovens que faziam serenatas para suas namoradas. Na época, morava em Santana, bastante próximo a fábrica e tive o privilégio de conhecer o Romeu Di Giorgio, o Reinaldo Di Giorgio e, agora, o Reinaldo Di Giorgio Filho.

Pergunta: o que você aprendeu no início?
Sérgio Reis: no início aprendi as posições básicas, como dó maior, ré maior, lá maior, mas nada de solo ou música clássica. Desta forma tomei gosto pela música.

Pergunta: quais as vantagens que você percebia no violão?
Sérgio Reis: considero um instrumento gostoso de ouvir e prático para levar a qualquer lugar, como festas, viagens, churrascos, etc. Sempre tem alguém tocando. O violão também exerce uma atração muito forte. As pessoas sempre estão ao lado de quem toca. Tem até uma história engraçada: quando meu filho mais velho, o Marcos, começou a estudar música, o meu sobrinho resolveu ir atrás. Então perguntei o porquê disso e ele respondeu: onde o Marcos está com o violão, todas as meninas estão em volta!".

Pergunta: quais foram as primeiras músicas que você aprendeu a cantar?
Sérgio Reis: o meu pai ensinava algumas serestas, músicas cantadas por Orlando Silva, Carlos Galhardo, Silvio Caldas e Nelson Gonçalves. Esta foi a minha escola. Também fui amigo do Altemar Dutra, que na minha opinião, era o melhor deles, pois também tocava violão!

Pergunta: o seu filho também toca violão, qual a orientação que você deu a ele?
Sérgio Reis: falei para ele estudar o violão clássico, pois a prática desta técnica ensina a mexer bastante com a mão direita, coisa que não aprendi tocando com o meu pai. Ele seguiu o conselho e, após um ano de estudo, pegou a posição certa.
Hoje ele toca guitarra num conjunto de rock, mas também sabe violão e gravou comigo no disco “Sérgio Reis e Filhos: violas e violeiros”, manuseando a viola. Isso tudo se deve ao estudo do violão clássico, que ensina música na sua plenitude.

Pergunta: qual conselho você daria aos que se iniciam no violão?
Sérgio Reis: eu aconselho a todo menino disposto a tocar violão que pratique o estudo clássico. Comece devagar, aprendendo a dinâmica, sempre prestando atenção no posicionamento da mão direita, depois faça escalas, etc. Procure um bom professor para ensinar a arte do instrumento.

Pergunta: fale sobre seu último CD.
Sérgio Reis: é um CD gravado ao vivo no “Vila Country”, em São Paulo, com músicas de vários compositores brasileiros, como: Luís Gonzaga, Renato Teixeira e Lupicínio Rodrigues. Este trabalho já está nas lojas de todo País.

Pergunta: a música sertaneja sempre foi cantada em dupla. Como você passou a cantá-la sozinho?
Sérgio Reis: consegui um casamento feliz, pois o timbre da minha voz combinou com a música sertaneja simples. O cuidado que tive foi enriquecer a minha forma de cantar sozinho com orquestra de cordas e gaita.

Pergunta: você se considera um cantor de que gênero?
Sérgio Reis: não sou um cantor sertanejo propriamente, mas um artista regional que canta as regiões do Brasil: sul, centro-oeste, norte e nordeste.

Pergunta: você pretende lançar um livro?
Sérgio Reis: estou escrevendo um livro sobre a origem da música sertaneja e das violas trazidas pelos portugueses para o interior do Brasil.
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