Entrevistas
Prof. Antero Martins

Pergunta: onde o senhor nasceu?
Antero Martins: em Aveiro, Portugal.

Pergunta: como veio o interesse pelo violão?
Antero Martins: desde pequeno, eu tocava violão em grupos folclóricos portugueses, fazendo acompanhamento para que eles dançassem.

Pergunta: e quando começou o estudo mais aprofundado do instrumento?
Antero Martins: foi aqui em São Paulo, quando comecei o estudo sério, por música, com o maestro Isaías Sávio e me formei no Conservatório Dramático Musical de São Paulo. Ao mesmo tempo que eu estudava o violão clássico, que é a minha paixão, eu já militava no fado, como acompanhante de música portuguesa. Acompanhei todos os cantores de música portuguesa que vieram a São Paulo.

Pergunta: você fazia esse acompanhamento sozinho ou com outros músicos?
Antero Martins: havia um pequeno conjunto: um violão, uma guitarra portuguesa e também um baixo.

Pergunta: como solista de violão clássico, aonde você se apresentou?
Antero Martins: no auditório da Folha de São Paulo, na Liga das Senhoras Católicas, no clube Pinheiros, na casa de Portugal e também em Campinas como solista de violão. Criei também um grupo: "Violão, Poesia e Canto", onde eu fazia fundo musical para poesias, enfim, sempre foi uma trajetória ligada à música e ao violão, principalmente o clássico.

Pergunta: como está atualmente o seu trabalho em relação à música portuguesa?
Antero Martins: acontece que hoje eu me dedico mais ao violão acompanhamento, porque eu faço shows, trabalhando na noite, tocando no restaurante PortoCale.
Além disso, minha filha Eliana, além de ter gravado alguns CDs, tem também um programa na TV, o "Programa Luso-Brasileiro", que vai ao ar todos os domingos.

Pergunta: como solista, quais as músicas e autores que você mais gosta de tocar?
Antero Martins: gosto de todas as musicas do repertório clássico (bastante extenso). O problema é não conseguir estudar todas elas. Naturalmente existem músicas mais díficeis e outras mais fáceis. Mas eu gosto muito das composições de Fernando Sor. Além disso, acho o Dionísio Aguado um compositor de grandes conhecimentos teóricos, musicais e, naturalmente, violonísticos. Acho que mesmo tendo quase 200 anos, suas obras continuam com uma atualidade muito grande. Também aprecio muito Tárrega.

Pergunta: que conselho você daria aos iniciantes do violão?
Antero Martins: para o estudo do violão clássico, fazer os estudos que estão contidos no método do Tárrega, pois lá há estudos tão bonitos, tão interessantes, que você fazendo o estudo e analisando, descobre a riqueza que contem neles. Há também o método do Arenas, que tem as lições mais completas. São 7 volumes que contém estudos do Dionísio Aguado, Fernando Carulli, Napoleon Coste, Francisco Tárrega, entre outros.

Pergunta: para os estudantes mais adiantados, o que você recomenda?
Antero Martins: estudar diariamente as escalas diatônicas maiores e menores. Fazer as fórmulas de arpejo do 2º volume do Arenas,que são 17.

Pergunta: você teve uma escola de violão?
Antero Martins: sim, durante 40 anos, na Rua Jaguaribe, no centro de São Paulo. Lá divulguei o ensino do violão, sendo que minha escola tambémn serviu como ponto de encontro de vários violonistas, profissionais e amadores. Sou um dos únicos portugueses que ensina o violão clássico aqui no Brasil.
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