BIOGRAFIAS
Ludwig Van Beethoven

Beethoven foi batizado a 17 de Dezembro de 1770, tendo nascido presumivelmente no dia anterior na Renânia do Norte (Alemanha). Seu pai era tenor na corte de Colônia (Köln em língua alemã) e também lecionava. Foi dele que Beethoven recebeu as suas primeiras lições de música.

A mãe de Beethoven, Maria Magdalena Keverich (1746-1787) casou-se duas vezes. O primeiro marido foi Johann Leym (1733-1765). Tiveram apenas um filho, Johann Peter Anton, que nasceu e morreu em 1764. Depois da morte do marido, Magdalena, viúva, casou-se com o futuro pai de Beethoven, Johann van Beethoven (1740-1792), músico alcoólatra. Tiveram sete filhos: o primeiro Ludwig Maria que nasceu e morreu no ano de 1769; o segundo Ludwig van Beethoven (1770-1827), o compositor, que morreu com 56 anos; o terceiro Caspar Anton Carl van Beethoven (1774-1815) que também tinha dotes para a Música e que morreu com 41 anos; o quarto Nicolaus Johann van Beethoven (1776-1848), que se tornou muito rico, graças à indústria farmacêutica, e que morreu com 72 anos; a quinta Anna Maria, que nasceu e morreu em 1779; o sexto Franz Georg (1781-1783), que morreu com dois anos de idade; e a sétima Maria Magdalena (1786-1787), que morreu com apenas um ano de idade. Portanto, Beethoven – que foi o terceiro filho da sua mãe e o segundo do seu pai – teve sete irmãos, cinco dos quais morreram na infância. Quanto aos irmãos vivos, Beethoven foi o primeiro, Caspar foi o segundo e Nicolaus o terceiro.

Ludwig nunca teve estudos muito aprofundados mas sempre revelou um talento excepcional para a música. Com apenas nove anos de idade foi confiado a Christian Gottlob Neefe (1748-1798) que lhe deu a conhecer os grandes mestres alemães da música. Compôs as suas primeiras peças aos onze anos. Os seus progressos são de tal forma notáveis que 1784 já era segundo organista da capela do Eleitor. Em 1787 é enviado para Viena para estudar com Joseph Haydn onde este o apresentou a Wolfgang Amadeus Mozart, que viu o talento prodigioso de Beethoven e proferiu a célebre frase "Não o percam de vista, um dia há de dar que falar".

Tinha como hábito despejar água gelada sobre a cabeça sob o pretexto de que isso estimulava o cérebro.

Em 1792, muda-se para Viena, e, afora algumas poucas viagens, permaneceria lá para o resto da vida. Durante os anos 1790, firma uma sólida reputação como pianista virtuose e compõe suas primeiras obras-primas: Três Sonatas para piano Op.2 (1795), Concerto para Piano No.1 em Dó maior Op.15 (1795), Sonata No.8 em Dó menor Op.13 [Sonata Patética] (1798), Seis Quartetos de cordas Op.18 (1800).

Em 2 de Abril de 1800 sua Sinfonia Nº1 em Dó maior Op.21 estréia em Viena, mas no ano seguinte ele confessa aos amigos que não estava satisfeito com o que tinha composto até então e que havia decidido seguir “um novo caminho”.

Pelos seus 24 anos (1794), Beethoven sentiu os primeiros indícios de surdez. Consultou vários médicos, inclusive o médico da corte de Viena, fez curativos, realizou balneoterapia, usou cornetas acústicas, mudou de ares, mas os seus ouvidos permaneciam enrolhados. Desesperado, entrou em profunda crise depressiva e pensou em suicidar-se. Em 1802, escreve o seu testamento aos seus dois irmãos vivos Karl e Johann: é o «Testamento de Heilingenstadt».

Embora tenha feito muitas tentativas para tratá-la durante os anos seguintes, a doença continuou a progredir e, aos 46 anos (1816), estava praticamente surdo. Porém, ao contrário do que muitos pensam, Beethoven jamais perdeu toda a audição, muito embora não tivesse mais, em seus últimos anos, condições de acompanhar uma apresentação musical ou de perceber nuances timbrísticas. Em sua obra Uma Nova História da Música, Otto Maria Carpeaux afirma que Beethoven assistiu à primeira apresentação pública da sua 9ª Sinfonia, mas, de costas para o público, não pôde perceber que estava sendo ovacionado. De 1816 até 1827, ano da sua morte, ainda conseguiu compor cerca de 44 obras musicais.

Em 1803 Beethoven começa a trilhar aquele “novo caminho” com a Sinfonia nº 3 em Mi bemol maior Op.55 [Eroica], uma obra sem precedentes na história da música sinfônica, considerada o início do período Romântico na Música Erudita. Os anos seguintes à Eroica foram de extraordinária fertilidade criativa e viram surgir numerosas obras-primas: Sonata nº 21 em Dó maior Op.53 [Waldstein] (1804), Sonata nº 23 em Fá menor Op.57 [Appassionata] (1805), Sinfonia No.4 em Si bemol maior Op.60 (1806), Três Quartetos de cordas Op.59 [Rasumovsky] (1806), Sinfonia No.5 em Dó menor Op.67 (1808), Sinfonia nº 6 em Fá maior Op.68 [Pastoral] (1808), Concerto para Piano nº 4 em Sol maior Op.58 (1807), Concerto para Violino em Ré maior Op.61 (1806), Concerto para Piano nº 5 em Mi bemol maior Op.73 [Imperador] (1809), Quarteto em Fá menor op.95 [Serioso] (1811), Sinfonia nº 7 em Lá maior Op.92 (1812), Sinfonia nº 8 em Fá maior (1812), e a primeira versão da única ópera de Beethoven, Fidelio (a versão definitiva é de 1814).

Depois de 1812, a surdez progressiva aliada à perda das esperanças matrimoniais e problemas com a custódia do sobrinho o levaram a uma crise criativa que faria com que durante esses anos ele escrevesse poucas obras importantes.

A partir de 1818 Beethoven, aparentemente recuperado, passou a compor mais lentamente, mas com um vigor renovado. Surgem então algumas de suas maiores obras: Sonata nº 29 em Si bemol maior op.106 [Hammerklavier] (1818), Sonata nº 30 em Mi maior Op.109, Sonata nº 31 em Lá bemol maior Op.110 (1822), Sonata nº 32 em Dó menor Op.111 (1822), Variações Diabelli Op.120 (1823), Missa Solemnis Op.123 (1823). A culminância desses anos foi a Sinfonia nº 9 em Ré menor Op.125 (1824), para muitos a sua obra-prima. Pela primeira vez é inserido um coral num movimento de uma sinfonia. O texto é uma adaptação do poema de Schiller “Ode à Alegria”, feita pelo próprio Beethoven.

Os anos finais de Beethoven foram dedicados quase que exclusivamente à composição de quartetos de cordas. Foi nesse meio que ele produziu algumas de suas mais profundas e visionárias obras: Quarteto em Mi bemol maior Op.127 (1825), Quarteto em Lá menor Op.132 (1825), Quarteto em Si bemol maior Op.130 (1826), Grande Fuga Op.133 (1826), Quarteto em Dó sustenido menor Op.131 (1826) e Quarteto em Fá maior Op.135 (1826). Sua influência na história da música foi imensa. Ao morrer em 26 de Março de 1827 estava trabalhando supostamente em uma décima Sinfonia. A suspeita vem por causa de varios "S" escritos como identificação nas partituras encontradas. Conta-se que cerca de dez mil pessoas compareceram ao seu funeral. Entre os presentes, Franz Schubert.


VIDA ARTÍSTICA

A sua vida artística poderá ser dividida em três fases: 1ªfase: Quando se muda para Viena em 1792, e alcança a fama de brilhantíssimo improvisador ao piano; 2ªfase: Quando, por volta de 1794, se inicia a redução da sua acuidade auditiva, facto que o leva a pensar em suicídio; 3ªfase: Quando, nos últimos dez anos de vida, fica praticamente surdo, escrevendo obras abstractas que, naquele tempo, ninguém compreendia.
Estúdio de Beethoven em 1827 por J.N. Hoechle
Estúdio de Beethoven em 1827 por J.N. Hoechle

Em 1801, Beethoven afirma não estar satisfeito com o que compôs até então, decidindo tomar um "novo caminho". Três anos depois, em 1803, surge o grande fruto desse "novo caminho": a Sinfonia nº3 em Mi bemol Maior apelidada de "Eroica", cuja dedicatória a Napoleão Bonaparte foi retirada com alguma polémica. A Sinfonia nº3 em Mi bemol Maior era duas vezes maior em duração que qualquer sinfonia escrita até então.

Em 1808, surge a Sinfonia nº5 em Dó menor - a sua tonalidade preferida, cujo o famoso tema da abertura foi considerado por muitos como uma evidência da sua loucura.

Em 1814, na 2ª fase, Beethoven já era reconhecido como o maior compositor do século.

Em 1824, surge a Sinfonia nº9 em Ré Menor. Pela primeira vez na história da música, é inserido um coral numa sinfonia. Pela primeira vez, numa sinfonia, é inserida a voz humana como exaltação dionisíaca da fraternidade universal, com o apelo à aliança entre as artes irmãs: a poesia e a música.

Beethoven começou a compor música como nunca antes se houvera ouvido. A partir de Beethoven a música nunca mais foi a mesma. As suas composições eram criadas sem a preocupação em respeitar regras que, até então, eram seguidas. Considerado um poeta-músico, foi o primeiro romântico apaixonado pelo lirismo dramático e pela liberdade de expressão. Foi sempre condicionado pelo equilíbrio, pelo amor à natureza e pelos grandes ideais humanitários. Inaugura, portanto, a tradição de compositor livre, que escreve música para si, sem estar vinculado a um príncipe ou a um nobre. Hoje em dia muitos críticos o consideram como o maior compositor do século XIX, a quem se deve a inauguração do período Romântico, enquanto que outros o distinguem como um dos poucos homens que merecem a adjectivação de "génio".
EF/DESIGN