BIOGRAFIAS
Kiko Loureiro - A Usina do Angra

Quem diria que, por trás dos cabelos longos de Kiko Loureiro se esconde um pesquisador de ritmos populares brasileiros? Seu primeiro solo, No Gravity, lançado em 2005, até tem um pé na cozinha, mas é “o disco do guitarrista do Angra”, sem dúvida. Porém o recém-lançado UniversoInverso, é brasileiro desde a escolha do nome e, para não deixar dúvidas, já abre com Feijão de Corda, um baião, e não o único do disco, a propósito. Tem samba, valsa brasileira, um pouco de maracatu e, para completar o tempero, nada como uma pitada de salsa.

Este sabor extra vem das mãos do chef Yaniel Matos, cubano radicado no Brasil que aprendeu o nobre ofício com mestres do porte de Chucho Váldez e Winton Marsalis.

Quem se propõe a mexer com ritmos tão refinados precisa ter atenção redobrada na bateria. Se nomes como Hermeto Pascoal, Roberto Sion, George Benson, Marina Lima e Maria Rita delegaram as baquetas a Cuca Teixeira, ele deve saber o que faz.

O baixo fica por conta de Carlinhos Noronha, que é pós-graduado na noite paulistana e já respondeu pelas partes mais graves de vários shows, inclusive com os Demônios da Garoa, Paula Lima e Simoninha.

O mais relevante é que Kiko transcende o estereótipo do roqueiro limitado a um único gênero. Afinal, a música, como toda Arte que se preze, não admite fronteiras, assim como o próprio Brasil em si.

É quase um paradoxo, mas quanto mais nos aprofundarmos em nossas raízes, mais universais seremos.
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